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Dra. Jacqueline Valles comenta na BandNews FM e na Rádio Bandeirantes possível manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro

A Dra. Jacqueline Valles, da Valles & Valles Sociedade de Advogados, participou de reportagem veiculada na BandNews FM e na Rádio Bandeirantes para comentar os aspectos jurídicos envolvendo a possível manutenção da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O tema voltou ao centro do debate público diante da expectativa sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a respeito da continuidade ou não da medida.

Na análise, a Dra. Jacqueline destacou pontos relevantes do Direito Criminal, especialmente a necessidade de avaliação técnica sobre os fundamentos da prisão domiciliar, o cumprimento das condições impostas e os limites legais aplicáveis ao caso.

Ouça a participação

BandNews FM · Moraes deve manter Bolsonaro em prisão domiciliar, entende jurista

O que está em discussão

A prisão domiciliar é uma medida que restringe a liberdade da pessoa, permitindo que ela permaneça recolhida em residência, sob condições determinadas pelo Poder Judiciário.

Em casos de grande repercussão, a discussão costuma envolver diferentes aspectos jurídicos: os fundamentos da concessão da medida, o estado de saúde, o comportamento durante o período de cumprimento, a manifestação dos órgãos competentes e a análise individualizada da situação.

Por isso, a decisão não deve ser vista apenas como uma escolha entre permanecer em casa ou retornar ao sistema prisional. Trata-se de uma avaliação técnica, que exige exame do caso concreto e dos requisitos legais aplicáveis.

Prisão domiciliar não significa ausência de controle

Um ponto importante é que a prisão domiciliar não representa liberdade plena.

A medida pode ser acompanhada de restrições específicas, como monitoramento eletrônico, limitação de visitas, proibição de uso de determinados meios de comunicação, acompanhamento judicial e outras condições fixadas no processo.

O eventual descumprimento dessas condições pode gerar consequências jurídicas relevantes. Da mesma forma, a manutenção da prisão domiciliar depende da avaliação sobre a permanência dos motivos que justificaram sua concessão.

A importância da análise técnica em casos de repercussão nacional

Casos envolvendo figuras públicas costumam gerar debates intensos. Ainda assim, no Direito Criminal, decisões dessa natureza não devem ser conduzidas por preferências políticas, pressão social ou interpretações simplificadas.

A análise deve considerar os critérios legais aplicáveis, a proporcionalidade da medida, as condições pessoais do envolvido, a preservação da ordem judicial e o respeito ao devido processo legal.

A participação da Dra. Jacqueline Valles na BandNews FM e na Rádio Bandeirantes contribui para esclarecer esses pontos de forma técnica, acessível e responsável.

Valles & Valles na mídia

A presença da Dra. Jacqueline Valles em veículos de comunicação reforça a atuação institucional da Valles & Valles Sociedade de Advogados em temas relevantes do Direito Criminal contemporâneo.

Com experiência, discrição e atendimento individualizado, o escritório atua em situações sensíveis que exigem estratégia, técnica e cuidado com os impactos jurídicos e humanos envolvidos.

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Dra. Jacqueline Valles comenta à BandNews FM os aspectos jurídicos da prisão domiciliar de Bolsonaro

Dra. Jacqueline Valles comenta à BandNews FM os aspectos jurídicos da prisão domiciliar de Bolsonaro

A Dra. Jacqueline Valles, da Valles & Valles Sociedade de Advogados, participou da BandNews FM para comentar os desdobramentos jurídicos envolvendo a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O tema ganhou destaque nacional diante da proximidade do fim do prazo inicialmente fixado para a medida e da necessidade de nova avaliação judicial sobre sua manutenção, prorrogação ou eventual substituição.

A entrevista abordou um ponto central do Direito Criminal: a forma como o Poder Judiciário deve equilibrar a execução de uma decisão penal, as condições pessoais do condenado, o cumprimento das restrições impostas e a preservação das garantias legais.

Ouça a entrevista

BandNews FM · Prisão domiciliar de Bolsonaro entra em semana decisiva

O que está em análise na prisão domiciliar

A prisão domiciliar é uma medida que restringe a liberdade da pessoa, permitindo que ela permaneça recolhida em sua residência, sob condições determinadas pelo Poder Judiciário.

Em casos de grande repercussão, como o analisado na entrevista, a discussão costuma envolver diferentes aspectos jurídicos: o fundamento da concessão da medida, o cumprimento das restrições impostas, a existência ou não de fatos novos, a manifestação dos órgãos competentes e a análise individualizada da situação.

Por isso, a decisão não deve ser vista apenas como uma escolha entre “ficar em casa” ou “voltar ao presídio”. Trata-se de uma avaliação técnica, que exige a análise do caso concreto e dos requisitos legais aplicáveis.

Medidas cautelares e controle judicial

No Direito Penal e Processual Penal, medidas restritivas precisam observar critérios de necessidade, proporcionalidade e adequação.

A prisão domiciliar pode vir acompanhada de diversas condições, como monitoramento eletrônico, restrição de visitas, proibição de comunicação por determinados meios, impedimento de uso de redes sociais ou outras limitações fixadas judicialmente.

O eventual descumprimento dessas condições pode gerar consequências jurídicas relevantes. Da mesma forma, a manutenção da medida também pode depender da comprovação de que os motivos que justificaram sua concessão continuam presentes.

Esse é justamente o ponto sensível em casos como esse: a decisão precisa considerar não apenas o histórico do processo, mas também o comportamento durante o cumprimento da medida e os elementos atualizados apresentados pelas partes.

A importância da análise técnica em casos de repercussão nacional

Casos envolvendo figuras públicas costumam mobilizar opiniões intensas. No entanto, a análise jurídica precisa seguir outro caminho.

O Direito Criminal não pode ser conduzido por clamor público, simpatia política ou rejeição pessoal. Ele exige técnica, prudência e respeito ao devido processo legal.

A participação da Dra. Jacqueline Valles na BandNews FM contribui para esclarecer esses limites. Mais do que comentar um episódio específico, sua análise ajuda o público a compreender como decisões dessa natureza são avaliadas dentro do sistema de justiça.

A prisão domiciliar, a execução penal, as medidas cautelares e a atuação do Supremo Tribunal Federal são temas que precisam ser explicados com responsabilidade. Em matéria penal, cada termo tem peso, cada condição tem consequência e cada decisão deve estar fundamentada.

Direito Criminal, informação e responsabilidade

A presença da Valles & Valles na mídia reforça o compromisso do escritório com uma advocacia criminal técnica, responsável e acessível ao público.

Em momentos nos quais o debate jurídico ocupa o centro das notícias, é fundamental que a sociedade tenha acesso a explicações claras, equilibradas e juridicamente corretas.

A informação de qualidade fortalece a compreensão do sistema de justiça e ajuda a diferenciar análise técnica de opinião imediata.

Valles & Valles na mídia

A participação da Dra. Jacqueline Valles na BandNews FM integra a atuação institucional da Valles & Valles Sociedade de Advogados em temas relevantes do Direito Criminal contemporâneo.

Com experiência, discrição e atendimento individualizado, o escritório acompanha casos sensíveis que exigem estratégia jurídica, leitura técnica e cuidado com os impactos humanos envolvidos em cada situação.

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Dra. Jacqueline Valles fala à BandNews FM sobre delação premiada no caso Banco Master

Dra. Jacqueline Valles comenta à BandNews FM os aspectos jurídicos da delação premiada no caso Banco Master

A Dra. Jacqueline Valles, da Valles & Valles Sociedade de Advogados, participou da BandNews FM para comentar os desdobramentos jurídicos envolvendo as tratativas de colaboração premiada relacionadas a Daniel Vorcaro, no contexto das investigações sobre o Banco Master.

O tema ganhou destaque nacional pela complexidade das negociações entre defesa, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República. Segundo noticiado pela imprensa, propostas de colaboração foram analisadas pelas autoridades, com questionamentos sobre a suficiência das informações apresentadas e a necessidade de elementos concretos que pudessem contribuir efetivamente para as investigações.

BandNews FM · PF e PGR negociam delação com Daniel Vorcaro

O que está em discussão

A colaboração premiada, muitas vezes chamada de delação premiada, é um instrumento jurídico previsto na legislação brasileira para situações em que um investigado ou acusado decide colaborar com as autoridades, desde que essa colaboração seja voluntária, efetiva e capaz de produzir resultados relevantes para a investigação ou para o processo criminal.

No caso em questão, a discussão pública envolve a avaliação sobre a utilidade das informações apresentadas, a existência de elementos novos, a possibilidade de complementação da proposta e o eventual encaminhamento para homologação judicial.

Esse ponto é essencial: uma colaboração premiada não se resume à simples disposição de falar. Ela exige consistência, documentação, relevância investigativa e respeito aos requisitos legais.

A colaboração premiada exige controle jurídico rigoroso

A Lei nº 12.850/2013 estabelece que a colaboração deve trazer resultados concretos, como a identificação de outros envolvidos, a revelação da estrutura de uma organização criminosa, a recuperação de valores ou a prevenção de novas infrações. A lei também prevê que o juiz não participa das negociações do acordo, preservando sua imparcialidade para analisar posteriormente sua legalidade.

Por isso, a análise jurídica de um caso dessa natureza precisa considerar não apenas o interesse investigativo, mas também as garantias fundamentais, a regularidade do procedimento, a voluntariedade da manifestação do colaborador e a necessidade de corroboração por outros meios de prova.

Em outras palavras, a colaboração premiada não substitui a prova. Ela pode indicar caminhos, apontar fatos e contribuir para a apuração, mas suas declarações precisam ser verificadas dentro do devido processo legal.

A importância da análise técnica em temas de grande repercussão

Em sua participação na BandNews FM, a Dra. Jacqueline Valles contribuiu para tornar mais compreensível um tema que costuma aparecer no noticiário de forma rápida, mas que envolve camadas relevantes do Direito Penal e do Direito Processual Penal.

Casos de grande repercussão exigem cautela. A exposição pública não pode transformar suspeitas em condenações antecipadas, nem simplificar instrumentos jurídicos complexos como se fossem meras negociações informais.

A colaboração premiada é um mecanismo sensível. De um lado, pode auxiliar o Estado na apuração de crimes de grande complexidade. De outro, precisa ser conduzida com absoluto respeito à legalidade, à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.

O papel do Direito Criminal diante da opinião pública

Quando um caso criminal ocupa espaço nos principais veículos de comunicação, o papel da análise jurídica é trazer equilíbrio.

A sociedade tem direito à informação. Mas a informação, especialmente em matéria penal, precisa ser acompanhada de contexto técnico. Termos como delação, homologação, negociação, prova, indício, colaboração e benefício penal possuem sentidos jurídicos específicos.

A participação da Dra. Jacqueline Valles na BandNews FM reforça a importância de profissionais do Direito contribuírem para o debate público com clareza, responsabilidade e compromisso com a técnica jurídica.

Mais do que comentar um caso específico, a análise ajuda o público a compreender como o sistema de justiça deve funcionar: com investigação séria, defesa técnica, controle judicial e respeito às garantias constitucionais.

Valles & Valles na mídia

A presença da Dra. Jacqueline Valles em veículos de comunicação como a BandNews FM reflete a atuação da Valles & Valles Sociedade de Advogados em temas relevantes do Direito Criminal contemporâneo.

Com experiência e atenção individualizada, o escritório acompanha questões sensíveis que exigem estratégia, discrição, técnica e compreensão profunda dos impactos jurídicos e humanos envolvidos em cada caso.

Para situações que envolvam Direito Criminal, investigações, medidas cautelares, defesa técnica ou orientação jurídica preventiva, contar com uma equipe especializada é fundamental.

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Moraes autoriza que Bolsonaro receba visitação permanente de filhos na prisão

Maproenca · Moraes autoriza que Bolsonaro receba visitação permanente de filhos na prisão

A recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a visitação permanente dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período de prisão, reacende um debate importante no campo do Direito Penal e da Execução Penal: o direito à convivência familiar da pessoa privada de liberdade.

A medida passou a permitir, de forma contínua, a visita de familiares próximos, entre eles os filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Jair Renan, Laura Bolsonaro, além da enteada do ex-presidente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro já possuía autorização anterior. Até então, segundo a notícia, era necessário apresentar pedido ao Supremo a cada nova visita, o que tornava o procedimento mais burocrático e restritivo.

Sob a ótica jurídica, a visita familiar não representa privilégio, mas sim um direito assegurado à pessoa presa. A legislação brasileira reconhece que o vínculo com a família é parte relevante da dignidade humana e também contribui para a preservação da saúde emocional do custodiado. Ainda que existam regras de controle e segurança definidas pelas autoridades competentes, essas limitações não devem esvaziar um direito fundamental.

De acordo com a informação anexada, as visitas seguem subordinadas às normas da Polícia Federal, que prevê atendimento às terças e quintas-feiras, das 9h às 11h, com duração de 30 minutos, limite de dois familiares por dia e realização individual de cada visita. Embora a administração penitenciária tenha competência para organizar a rotina do ambiente prisional, é essencial que esse poder seja exercido com razoabilidade e proporcionalidade.

A advogada criminalista Jaqueline Valles destaca que a visita de familiares é um direito garantido e que a necessidade de renovação sucessiva de autorizações judiciais para cada encontro merece reflexão crítica. Quando o acesso da família depende de reiteradas formalidades, cria-se uma barreira que pode comprometer a efetividade de uma garantia já reconhecida pelo ordenamento jurídico.

Casos como esse mostram que o Direito não deve ser interpretado apenas sob a perspectiva da punição, mas também da preservação de garantias fundamentais. O cumprimento da pena ou da custódia cautelar não afasta direitos essenciais, especialmente aqueles relacionados à dignidade da pessoa humana e ao convívio familiar.

Mais do que repercussão política, a decisão chama atenção para um ponto central: o respeito às garantias legais deve valer para todos. O direito de visita, quando exercido dentro das regras institucionais, representa não apenas um mecanismo de contato familiar, mas também a concretização de princípios constitucionais indispensáveis ao Estado de Direito.

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Mulheres acusam homem de ‘estelionato sentimental’ e de aplicar golpes que chegam a valor milionário

*Matéria publicada originalmente no Fantástico

Nove mulheres acusam um homem, que conheceram em aplicativos de relacionamentos, de ter aplicado golpes que já somam cerca de R$ 1,6 milhão.

Caio Henrique da Silva Camossato foi condenado por estelionato em 2019, mas elas não sabiam. Três delas o denunciaram à polícia, que o investiga por pelo menos cinco casos.

A defesa de Caio diz que ele “é inocente de todas as acusações”, e que isso “será provado no curso da instrução processual”.

Ele tinha se apresentado com outro sobrenome, e dizia ser produtor musical em uma grande gravadora, além de já ter escrito músicas de sucesso, hits sertanejos, gravados por cantores famosos.

“O perfil dele me chamou muita atenção, porque desde o começo ele demonstrava e falava que não queria nada casual”, diz Talita ao Fantástico.

Com poucos dias de namoro, ele já dizia que estava apaixonado e pagava todas as contas.

“Ele faz todo um cortejo muito grande. Levou para restaurantes, entrava em lugares que ele conhecia todo mundo.”

Em seu perfil em uma rede social, Caio publicava vídeos com mensagens de empoderamento feminino. Em um deles, dizia que “ninguém segura uma mulher depois que ela descobre que ela merece mais do que aquilo que ela tem”.

Algumas das mulheres, que não quiseram ser identificadas, dizem que chegaram a conhecer pessoas da família de Caio.

“Conheci todas as pessoas da família dele. Mãe, pai, avô, primos. Fui no asilo onde a avó dele fica”, afirma uma delas.

“Ele me levou para conhecer os avós dele. Depois ele me levou para conhecer os filhos”, conta outra.

Com essa estratégia, elas dizem que, depois de ganhar sua confiança, ele passa a pedir grandes quantias como empréstimo.

“Ele dizia que ele precisava pagar uma multa de Ibama lá na fazenda dele, em Goiânia. E como a conta dele estava bloqueada, ele não estava conseguindo fazer a transferência”, fala Talita.

Segundo ela, Caio dizia que iria pagar, e chegou a pegar o cartão dela para fazer compras. Com restaurantes, roupas, perfume e sapato, ele chegou a usar R$ 47 mil.

“Foi quando eu falei para ele que não queria mais aquela situação. E aí ele começou a mudar comigo.”

Amigas diziam que ela tinha caído em um golpe. Ao buscar mais informações sobre o namorado, ela chegou a seu sobrenome verdadeiro.

Além de descobrir que ele não era carioca, como dizia, mas paulistano, ela encontrou outras mulheres que tinham passado por coisa parecida nos últimos quatro anos.

“Encontrei vítimas no Rio de Janeiro. E aí as vítimas aqui em São Paulo, que são muitas, principalmente.”

Uma delas conta que chegou a fazer empréstimos para conseguir repassar os valores para Caio. De R$ 10 mil, as quantias cresceram com o tempo.”Quando eu fui ver, já era um montante que chegou em um valor de R$ 216 mil.”

Ela diz que passou a receber ameaças ao falar para ele que ia se afastar. Por isso, consegui uma medida protetiva para que Caio não se aproxime.

Talita recebeu seu dinheiro de volta, R$ 47 mil, mas as outras, não. Uma delas afirma ainda que foi vítima de agressões moral e física. “Ele me mordia muito. Me batia no rosto”, diz ela. “Eu achei que eu ia morrer. Eu fiquei muito triste.”

“É o estelionato sentimental”, diz a advogada criminalista Jacqueline do Prado Valles.

“O estelionato é um engano para ter retirar dinheiro da vítima. E o sentimental? Ele faz toda a parte de plano realmente para que ela se sinta amparada por aquela pessoa.”

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PF informa nova fraude na carteira de vacinação de Jair Bolsonaro

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Dados do celular de Bolsonaro podem ser usados como provas em outros inquéritos

* Matéria publicada originalmente nos portais Terra, Uol, Bol e Estadão

Informações extraídas do celular de Jair Bolsonaro, apreendido na manhã desta quarta-feira, 3, pela Polícia Federal, no âmbito de investigação sobre suposta fraude no cartão de vacinação do ex-presidente, podem ser usadas como provas em outros inquéritos em andamento. A apreensão do aparelho ocorreu durante a Operação Venire, da PF, que prendeu preventivamente o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Os agentes fizeram buscas na casa do ex-presidente e recolheram seu celular.

Segundo a advogada Jacqueline Valles – mestre em Direito -, quando é cumprido um mandado de busca e apreensão, ele delimita os objetos a serem confiscados.

“A lei determina que sejam especificados no mandado o que se busca. E se o material apreendido legalmente contiver indícios de outros crimes, eles podem, sim, ser usados em outras investigações”, afirma Jacqueline Valles.

Em sua avaliação, se a PF encontrar no celular de Bolsonaro informações que o vinculem a outros crimes investigados, ‘a prova é válida, sim’.

Na operação desta quarta, a PF prendeu, além do tenente-coronel do Exército Mauro Cid, o PM Max Guilherme Machado de Moura, o capitão da reserva Sérgio Rocha Cordeiro, o coronel do Exército Marcelo Costa Câmara, o ex-major Ailton Gonçalves Moraes Barros e o secretário municipal de Saúde de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa Brecha. Todos estão supostamente ligados a um esquema de adulteração do cartão de vacinação de Bolsonaro contra a covid-19.

A advogada explica que existe um princípio no Direito que permite, ainda, usar provas obtidas nessa investigação para iniciar outras investigações.

“A Teoria da Serendipidade é muito aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça na legalidade do encontro de provas de crimes diferentes aos que se investiga”, assinala a jurista.

Segundo ela, ‘isso é muito comum nas interceptações telefônicas’.

“A polícia está investigando, por exemplo, um crime de tráfico e descobre, por meio daquelas escutas, outros crimes. Segundo essa teoria, caso a polícia descubra novos crimes ao analisar o conteúdo do celular, isso também pode motivar a abertura de novos inquéritos policiais”, destaca Jacqueline.

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Dra Jacqueline explica prisão de Mauro Cid Barbosa, ex ajudante de Bolsonaro

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Entrevista Dra Jacqueline Valles sobre importunação sexual durante voo

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PL que proíbe uso de defesa da honra é inócuo e não ajuda as mulheres, diz jurista

  • Matéria postada originalmente no Portal Jurid

Projeto vai contra o artigo 5º da Constituição, uma cláusula pétrea que não pode ser modificada nem por leis, nem por PECs.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deu mais um passo para proibir que advogados e réus por feminicídios aleguem defesa da honra como motivo para atenuar o crime ou absolver alguém. O Supremo Tribunal Federal (STF) já tinha julgado processo semelhante em março do ano passado, também proibindo o uso desse argumento diante do Tribunal do Júri. A advogada criminalista Jacqueline Valles, mestre em Direito Penal pela PUC-SP, acredita que a lei é inócua porque o Tribunal do Júri não condena ou absolve réus com base na legislação, mas sim nas convicções pessoais dos jurados. “O corpo de sentença não é formado por juristas, mas sim por cidadãos leigos, que representam o pensamento da sociedade diante de um crime contra a vida. Eles levam em conta suas convicções pessoais para condenar ou absolver e a Constituição não exige nem que ele justifique a sua decisão. Logo, não há como obrigá-lo a julgar com base em dispositivos legais, sem que ele esteja convencido pessoalmente disso”, explica.
Segundo a jurista, o projeto de lei se choca com o Artigo 5º da Constituição, uma cláusula pétrea que estabelece as garantias fundamentais e, portanto, não pode ser modificado. O inciso XXXVIII estabelece a plenitude da defesa, ou seja, o direito de usar todos os meios possíveis para convencer os jurados, incluindo argumentos sociológicos, políticos, religiosos e morais. O mesmo inciso também dá soberania aos veredictos do Tribunal do Júri. “É urgente punir com rigor quem agride e mata mulheres, mas isso precisa ser feito dentro das bases da Constituição. No Brasil é comum que os legisladores busquem o caminho mais fácil, criando ou endurecendo leis que fazem muito barulho e dão voto, mas não resolvem o problema. Na prática, não muda nada, porque quando o jurado vota ele não precisa pensar em lei alguma”, diz.

Sem efeito

Com base no projeto de lei, se a defesa ou o réu alegar, diante do Júri, que o homicídio foi cometido em defesa da honra, o juiz deve anular o julgamento e convocar novos jurados para começar tudo de novo. “A Constituição de 1988 estabeleceu que os crimes contra a vida – homicídios e tentativas – são os únicos em que o julgamento final é da sociedade, e não dos magistrados. O jurado representa o povo no julgamento e não é obrigado a conhecer uma linha sequer do Código Penal”, ressalta a especialista em Tribunal do Júri.

Jacqueline Valles reforça que o jurado decide seu voto com base em seus princípios morais e pessoais, a partir das provas apresentadas a ele e dos argumentos da defesa e acusação. “Para que o povo não aceite que uma suposta ‘honra’ seja motivo para matar uma mulher, ele precisa de conscientização. É preciso mudar a mentalidade machista que move os agressores e assassinos de mulheres e faz com que parte da sociedade relativize esse tipo de crime. Temos que educar a população para que ela não tolere qualquer tipo de violência e discriminação. O jurado é uma amostra dessa sociedade. Uma lei que crie programas e ações educativas e de esclarecimento ajudaria muito mais as mulheres do que uma lei inconstitucional”, alerta.

Evolução

A advogada lembra que, no passado, não era incomum que réus que mataram por causa de time de futebol, por exemplo, tivessem as penas atenuadas. “Muitas vezes o júri considerava que se tratava de uma briga, em que os dois lados estavam errados, e não só o homicida. Isso resultava em atenuantes que reduziam até um terço da pena. Isso não acontece mais porque a sociedade entendeu que rixa esportiva não é motivo para tirar a vida de alguém. Os jurados passaram a não aceitar mais esse argumento e nem foi preciso mudar lei alguma, a educação e a conscientização mudaram isso. O mesmo exemplo vale para o argumento da defesa da honra, porque se o jurado for machista, não importa o que esteja escrito na lei, ele tende a absolver. “Quando a maioria da sociedade entender que não há honra ou moral que justifique a morte de uma mulher, os jurados também não precisarão de lei para decidir e condenar”, conclui.